terça-feira, 25 de junho de 2019










Forte do Príncipe da Beira, Costa Marques, Rondônia  Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco  Pesquisaescolar@fundaj.gov.br



           O Real Forte do Príncipe da Beira é considerado uma das maiores obras da engenharia militar portuguesa do período colonial, tanto pela sua edificação como pela sua fundamental localização estratégica. O Forte está situado na margem direita do rio Guaporé, no município de Costa Marques, estado de Rondônia, na fronteira com a Bolívia. 

           O nome Real Forte do Príncipe da Beira, ou simplesmente Forte do Príncipe da Beira como é mais conhecido, originou-se de uma homenagem ao Príncipe herdeiro da Coroa Portuguesa, D. José de Bragança, que tinha o título de Príncipe da Beira, título que manteve até a morte de sua mãe, Maria I de Portugal, quando então ascendeu ao trono com o título de Príncipe do Brasil.

           A edificação do Real Forte Príncipe da Beira, assim como a de todos os outros fortes situados do lado oeste da linha do Tratado de Tordesilhas (acordo selado por Espanha e Portugal, em 1494, que fixava critérios de partilha entre os dois países das terras descobertas além-mar por Cristóvão Colombo e outros navegadores), foram erguidas com a finalidade de demarcar e defender a nova fronteira acordada pelo Tratado de Madrid de 1750, firmado entre D. João V de Portugal e D. Fernando VI da Espanha, para definir os limites entre as respectivas colônias sul-americanas, o que supostamente colocaria um final às disputas entre os dois países. O Tratado de Madrid tinha a finalidade de substituir o de Tordesilhas que na prática não estava mais sendo respeitado.

           Os portugueses ergueram vários tipos de fortificações, das mais imponentes e seguras até as mais modestas e frágeis, todas situadas em pontos ou acidentes geográficos que obedeciam a um plano de defesa estratégica da América portuguesa. D. João V (1706-1750), preocupado com a proximidade dos espanhóis na fronteira oeste desde 1743, determinou ações no sentido de consolidar o domínio português na calha do rio Guaporé, tendo como objetivo a exploração de ouro na região. Para isso criou a capitania do Mato Grosso, nomeando como seu primeiro governador e Capitão-General, D. Antônio Rolim de Moura Tavares. Este fundou a Vila Bela da Santíssima Trindade, às margens do rio Guaporé, que passou a ser a sede da Capitania.

          Contudo, não só os portugueses visavam à exploração do ouro na região. Os espanhóis também pretendiam explorar essas riquezas, e para marcar presença no local, estabeleceram missões jesuítas ao longo do rio Guaporé e de seus afluentes, gerando uma série de conflitos. Para garantir a soberania portuguesa na região, foi construído, em 1769, o Fortim de Nossa Senhora da Conceição (ou Bragança) cuja fragilidade levou os espanhóis a tentar sua conquista, só não obtendo êxito em virtude de terem sido vítimas de diversas doenças. Posteriormente, esse Forte  seria destruído pelas águas da enchente de 1771.
 
           Em 1772, o então governador da Colônia do Mato Grosso, Capitão-General Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, tinha a missão de executar o plano da Coroa Portuguesa de dominar as duas margens do rio Guaporé para manter afastados os espanhóis e assegurar o controle total das minas do Guaporé e Tanquinhos (atual Mateguá, Bolívia), garantindo caminho seguro pelos rios Guaporé, Mamoré e Madeira, assegurando assim o monopólio da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

          Para execução desse plano, em 1773, Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres viajou descendo o rio Guaporé à procura de um local na sua margem direita para construção de um forte em substituição ao de Nossa Senhora da Conceição. Contou com o auxílio técnico do Ajudante de Infantaria em exercício de Engenheiro, Domingos Sambocetti, para encontrar um local que atendesse os requisitos para construção do novo forte, que viria a ser o Forte Real do Príncipe da Beira, situando-se a cerca de dois quilômetros da fortificação anterior (o da Conceição).

            Enfrentando a censura do Primeiro Ministro Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido por seu título de nobreza Marquês de Pombal) às empreitadas administrativas e aos altos custos do empreendimento, Luis de Albuquerque acreditava que todos os sacrifícios valeriam a pena diante da importância política da obra. Em 20 de junho de 1776, os alicerces do novo forte receberam a pedra fundamental registrada em ata histórica. Durante as obras de construção do forte, o engenheiro Sambocetti morreu em decorrência da malária, sendo então substituído pelo Capitão de Engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra.

          O forte foi assentado sobre a Serra dos Parecis, paralelo ao rio Guaporé. O grandioso projeto de Sambocetti previa uma fortificação em plano quadrangular, amuralhado em pedra de cantaria com majestoso portão na frente norte e com baluartes nos ângulos consagrados à Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, Santo Antonio de Pádua e São José Avelino, seguindo as normas da arquitetura militar da época, inspirado no sistema elaborado por Vauban, arquiteto militar francês (1633-1707). Sobre o terrapleno, há quatorze grandes edifícios de pedra lavada ou pedra canga e argamassa, que abrigavam os quartéis da guarnição, hospital, capela, armazéns, casa do governador, cisterna, paiol subterrâneo. A porta principal tinha uma ponte levadiça sobre fosso seco e era protegida por revelim (unidade de medida para superfícies agrárias que corresponde a 100 m2).

         Depois de consolidada a presença portuguesa na região, o Forte perdeu um pouco da sua função estratégica, mas continuou como testemunho de uma época e uma sentinela naquela parte do Brasil. Com o abandono progressivo, a vegetação tomou conta de suas dependências ameaçando a integridade da edificação. Já no século XX, em 6 de julho de 1913, o Forte foi visitado pelo Almirante José Carlos de Carvalho e outras autoridades que lavraram ata de sua visita, tendo deliberado que o monumento histórico ficaria sob a guarda do Estado de Mato Grosso até que o Governo Federal resolvesse sobre sua administração definitiva, determinando também a remoção de peças de artilharia e outros objetos ali ainda existentes,  para o Museu Nacional do Rio de Janeiro.

         Em 1914, o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) também visitou o Forte e ordenou a limpeza da mata que invadia suas dependências. Porém, só em 1930, uma nova expedição do Exército brasileiro voltou a marcar presença no local. Finalmente em 1950, o Forte foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN.

Durante o Governo do General João Baptista de Figueiredo foi assinado um Termo de Compromisso entre o Ministério da Educação, Cultura, o Ministério do Exército e Governo de Rondônia visando à sua restauração, conservação e utilização.  Em 2009, por iniciativa do IPHAN, foram iniciados os trabalhos arqueológicos , no interior do Forte sob a coordenação do arqueólogo Fernando Marques, do Museu Emílio Goeldi, com conclusão prevista para 2012. A intenção é qualificar o Forte para visitação turística.

                                                                                                                                                       Recife, 29 de junho de 2012.

FONTES CONSULTADAS:
FORTE Príncipe da Beira (Costa Marques, RO). Disponível em: . Acesso em: 18 jul. 2012.
PRÍNCIPE da Beira. Revista Trimensal do Instituto Histórico Geographico e Ethnographico do Brasil, Rio de Janeiro, t. 48, parte 1, 1885.
NUNES, Maria de Souza. Real Forte Príncipe da Beira. Cartografia e iconografia de Isa Adonias. Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1985.
RONDÔNIA. Governo do Estado. Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Turismo. Departamento de Cultura. Histórico do Real Forte Príncipe da Beira. Porto Velho, 1983.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Real Forte Príncipe da Beira. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/ . Acesso em: dia mês ano. Ex: 6  ago. 2009.

segunda-feira, 24 de junho de 2019


Ex-babá se forma em Direito, passa na OAB e sonha em se tornar juíza 
        Formada desde junho, Ana Karla está à espera da carteira da OAB para começar a advogar
          Mulher. Negra. Pobre. Aos olhos de algumas pessoas, Ana Karla Santa Ana, 33 anos, tinha tudo para ser mais uma na multidão, mas com muita determinação, ela mudou um destino que já estava pré estabelecido. Se formou em Direito, passou na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes de concluir o curso e provou que para ser basta querer.
“Quero fazer escola de magistratura e ser juíza. O aprendizado é contínuo”, disse Ana Karla, que já trabalhou como babá.
Após concluir o ensino médio em 2009, na modalidade de Ensino de Jovens e Adultos (EJA), Ana Karla prestou Enem em 2010, e obteve 800 pontos na prova de redação e média de 649 na prova objetiva. O resultado foi a conquista de bolsas integrais em três instituições. No segundo semestre de 2011 começava a batalha rumo a um sonho: ser advogada. O desejo tornou-se realidade no mês de junho.
Foto: Guilherme Ferrari


              Ex-babá se forma em Direito – “Quero fazer escola de magistratura e ser juíza. O aprendizado é contínuo”, disse Ana Karla
O caminho foi difícil, mas ela contou com a ajuda de alguns “anjos da guarda”. O primeiro deles é o marido, Sidnei Lima da Silva, 32, que a inscreveu no Enem e, durante todo o curso, a ajudava a custear as despesas, vendendo balas no Terminal de Laranjeiras, na Serra.
Ele conta que a apoiou desde o momento que ela falou do sonho de ser advogada. “As pessoas falavam que ela não conseguiria, mas eu sempre acreditei.”
A renda que Sidnei obtinha, entre R$ 800,00 e R$ 1 mil mensais, era usada para pagar as despesas da casa e garantir passagens e alimentação para a esposa. “Certa vez um professor me deu R$ 50,00 para eu pagar passagem, mas quando eu não tinha dinheiro, também pedia carona nos ônibus”, conta a bacharel em Direito.
Uma amiga, em especial, marcou a trajetória de Ana Karla: a universitária Ruth Gonçalves. Antes dela entrar na faculdade, Ruth deu a ela um emprego de vendedora na loja onde trabalhava como gerente. “E por eu morar próximo a faculdade, nos reencontramos. Eu a ajudava como podia. Sua humildade a fez ir longe”, afirma Ruth.
Prova
No último ano do curso, Ana Karla, que é moradora de Nova Carapina, na Serra, intensificou os estudos para passar na concorrida prova da OAB. Ela lembra que, às vezes, entrava na faculdade às 8h e saía após às 22h.
“Estudava até de madrugada, pois os conteúdos que aprendia na faculdade revia em casa. Os livros eram emprestados da biblioteca.”
O professor de Direito Civil e coordenador do curso de Direito da Faculdade Estácio de Sá, Carlos Alberto Hackbardt, é só elogios à postura de Ana Karla. “Ela serve de exemplo para as pessoas buscarem aquilo que almejam, ao invés de esperar de mão beijada.”
E por essa postura, Ana Karla recebeu ontem, na Câmara de Vereadores da Serra, a comenda Nelson Mandela, uma homenagem de honra ao mérito.
Incentivo da Ex- babá veio na infância
Nascida na região da Grande São Pedro, Ana Karla lembra que a infância foi humilde porém, o incentivo aos estudos nunca faltou, principalmente por parte da mãe, a diarista Glória Maria Santa Ana, 52, que não se cabe em tanto orgulho em ver a filha formada.
Glória conta que os médicos que fizeram o parto falaram para ela que a filha tinha cara de doutora.
“Eu fiquei pensando como conseguiria transformá-la em doutora. Condições financeiras eu não tinha, mas sempre a incentivava a estudar.”
Mesmo com tendinite, Glória não abria mão de fazer faxinas para ajudar a primogênita Ana Karla. “Ela é a minha primeira filha a ter curso superior, mas um dos irmãos, inspirado na história dela, também quer fazer faculdade. Ele sonha em ser músico.”

segunda-feira, 17 de junho de 2019

FERIADOS ESTA SEMANA DE 17 A  21 DE JUNHO

                             DIA 18 DIA DO EVANGÉLICO







20 CORPUS CHRISTI